Coluna Aparte – Raspando os ossos

Parece que açougue virou novamente boutique de carne em que os brasileiros ficam admirando as peças pela vitrine. Realidade vivida na época da hiperinflação, ainda estamos um pouco distante da famígera carestia. Mas parece muito de quando começamos a ser tratados como país de terceiro mundo.

Ficou a herança perpétua da maioria de povo pobre, outros milhões de miseráveis comendo uma refeição minguada ao dia e, para preencher o quadro do mapa de degradação, aparece uma classe média egoísta sendo pulverizada sem dar um pio.

Verdade que todos esperam a vacina do COVID-19, querem voltar a viver sem máscaras, característica de uso cotidiano dos políticos que escondem o sórdido jogo de dominar uma nação de pessoas do bem. Ficamos em dúvida se algum dia vai haver uma eficiente fórmula para mudar as condutas dos membros do poder.

Continuamos pobres, comendo ovo, assim sempre foi, assim não deverá continuar sendo. Mais do que ficarmos felizes com uma cesta básica, queremos o direito ao direito. Pode ser que barriga vazia deixa a inercia maior que a indignação. Mas os medíocres são menores que uma decisão de mudança coletiva.

Queremos soluções, dinheiro tem, vergonha na cara jamais. Estamos ficando fracos, nem podemos caminhar pela direita, pela esquerda ou pelo centro, todos os passos contaminam. Talvez possamos sobrevoar o mapa da incompetência planejada, pedindo aos deuses um sopro para levantar a sujeira pública.

Estamos com fome. Quanto será que custa o quilo do osso?

  • Coluna Aparte publicada nas segundas-feiras, na página Política, no jornal O Imparcial.
  • Charge do Nuna.

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