
Mesmo em décadas passadas era perigoso provocar as mulheres decididas a ocupar os seus espaços na política do Maranhão, quanto ao Brasil as experiências ainda não criaram a súmula positiva nacional. Fiquei alimentando minhas lembranças sobre quais nomes femininos podemos afirmar com as trajetórias carimbadas na história do grande livro do poder machista nos últimos 50 anos, registrando que posso ter esquecido alguma figura ou os leitores discordam das suas relevâncias. Somente vou citar as que posso contar a trajetória como espectador ou profissional presente ao tempo delas.
Primeira imagem que veio a minha mente quando estava combinando com o genial Nuna a charge desta segunda-feira foi da Lia Varela, alfabetizadora, professora, advogada, vereadora e a única parlamentar que exerceu a presidência da Câmara de Vereadores de São Luís, sendo reeleita a chefa legislativa por três vezes consecutivas, primeira afrodescendente a assumir uma prefeitura de capital no Brasil afirmando que “não” assumia ao posto “para ficar”, mas para “esperar a hora de sair”. Fez excelente trabalho como gestora nos dois poderes, perdendo as três últimas eleições. Curiosamente, votei nela neste período pela sua trajetória e por enfrentar o preconceito.
Para diminuir os espaços neste texto vou citar sem estender. Importante registrar as prefeitas de São Luís, Gardênia Gonçalves e Conceição Andrade, ambas deram uma bela taca eleitoral nos candidatos do Sarney, Jaime Santana e João Alberto. Gonçalves começou a presença política no Maranhão como apoiadora do Sarney e continua rompida até hoje, ao contrário da Andrade que era da ala do PMDB e PSB anti-Sarney e hoje está como amiga da família. Cada qual nos seus interesses e mágoas.
Fundamental escrever sobre a Roseana Sarney nas páginas como deputada federal, governadora, senadora, tentou equivocadamente ser presidente do Brasil e, naturalmente, filha do José Sarney. Mesmo com toda a capacidade da sua beleza, foi transformada em fenômeno eleitoral agregada ao histórico do genitor e pela máquina financeira dos Leões e do Planalto. Neste período surge a personagem da primeira-dama Alexandra Tavares com a determinação de cobrar o respeito e liberdade de gestão para o então marido e governador José Reinaldo Tavares, sendo a única que não deu um passo para trás entre todas que estiveram no poder. Ajudou a liderar o início do fim da era Sarney, mesmo sofrendo ataques sorrateiros.
Para completar a relação das mulheres competentes, eis que surgiu das areias de Urbano Santos uma vereadora e prefeita por duas vezes, eleita a deputada estadual mais bem votada no Maranhão, conquistando pela primeira vez a cadeira de presidente da Assembleia Legislativa com seu jeito de tia que abraça a todos. Parece muito para alguns dos tradicionais fazedores do poder, os mesmos que tem sofrido derrotas e teimam em não entender a sua sagacidade. Vale aplica os trocos bem dados nos dinistas, aqueles que utilizam, legal ou ilegal, do nome do ministro Flávio Dino (STF).
Possível que percam o processo da presidência no STF, talvez com o placar no zero ou com o Solidariedade desconhecendo a legitimidade e enfraquecendo a ação. Melhor de tudo é que as provocações levaram a Iracema a lançar o pré-candidato Orleans Brandão. Por enquanto, com a maioria absoluta de deputados estaduais. Sem esquecer os prefeitos, vereadores, deputados federais e o senador. Provoca!
- Coluna Aparte publicada nas segundas-feiras, na página Política, no jornal O Imparcial.
- Charge do genial Nuna.

